Não seja o primeiro a boicotar os resultados da sua marca

Quem empreende no Brasil convive com a pressão da sensação de crise constante, e o grande volume de entraves impostos pelo sistema para a sobrevivência de pequenos negócios, fatores que quando somados à tradicional falta de educação empreendedora, resultam em um enorme volume de negócios que se constroem ao acaso vivendo um dia após o outro.

Infelizmente é muito comum nos depararmos com negócios familiares que apesar do grande potencial funcionam meramente como uma fonte de sustento, de onde recursos são consumidos praticamente à medida em que são obtidos de um mercado cada vez mais exigente, não há uma preocupação ou consciência de sustentabilidade.

Apesar de nos últimos tempos uma parcela dos pequenos empreendedores se mostrar mais preparada, e consciente de que seus negócios precisam de um lastro financeiro para a sobrevivência, ainda há muito o que melhorar quando se trata dos investimentos para a conversão de um negócio com uma proposta sólida de qualidade em uma marca forte seguida por consumidores leais, capazes de atuar como seus evangelizadores no mercado.

Como em todas as tarefas, a construção de uma imagem positiva começa com passo importantíssimo: o primeiro. A partir do momento em que o empreendedor se torna consciente da sua obrigação real com a construção da imagem do seu negócio, é natural que sinta-se “incomodado” com tudo aquilo que não faz pelo fortalecimento da sua marca, iniciando assim uma jornada por parceiros capazes de guia-lo na árdua missão.

Ainda que de forma primária, suas expectativas em parte consistem nos objetivos de marketing, o que torna um momento-chave a escolha do profissional ou agência que administrará cada processo rumo ao nobre objetivo de criar uma conexão real com o público-alvo.

Escolher o parceiro ideal, dotado de conhecimento, ética e qualificação é tão importante quanto livrar-se do vitimismo que causa a miopia da interpretação dos investimentos na própria marca como gastos, sob o erro de avaliação do dinheiro no bolso do empreendedor como “o KPI da verdade”. Muitas empresas abrem em momentos difíceis para a economia, e de fato, é exatamente em momentos assim que ideias geniais e inovação surgem para mudar o rumo do mercado, ainda que por outro lado seja um momento em que inúmeros profissionais que julgam estar mais preparados que seus chefes descobrem da forma mais dura o quanto estão enganados.

Quando entre mortos e feridos conseguimos atravessar o campo de batalha com nossas marcas, é como se literalmente começássemos a corrida pelo sucesso em uma posição de confortável vantagem, o que infelizmente se traduz em alguns casos em uma armadilha posicionada num platô de comodismo. Não são raros os casos em que uma campanha pontual com resultados positivos torna-se a deixa para que o empreendedor enxergue a oportunidade para tirar férias, ou o momento ideal para distribuir os lucros do negócio.

Em tempos onde o consumidor é não só mais exigente, como bem informado e anseia por estar de fato conectado às suas marcas preferidas, que por sua vez entregam cada vez mais além do seu produto central, há ainda quem se equivoque a ponto de sustentar a ideia de campanhas pontuais focadas exclusivamente em vendas, tornando-se mais eficientes em sustentar um mercado ultrapassado que empurra a demanda ao mercado, do que em construir uma imagem digna de um lugar na mente e no coração do consumidor.

Vivemos na pele o Marketing 4.0, e ainda assim o argumento de venda de comunicação baseada no consumidor como um alvo a ser atingido pela empresa continua sendo amplamente utilizado, afinal agências e profissionais veem na venda de alcance, sem inteligência e visão estratégica, um produto de fácil gestão e consequentemente maior margem de lucro.

Para construir um negócio realmente interessante, é preciso literalmente ser diferente, respeitando o consumidor como ser humano além de contribuir cada vez mais para um mundo melhor, tendo em mente que seu empreendimento está inserido num momento em que temos à disposição conhecimento e ferramentas de inteligência suficientes para estabelecer uma comunicação um-para-um. Basicamente cabe exclusivamente a você, empreendedor, a escolha entre trabalhar para que sua marca se relacione e crie conexões reais com o público, ou continuar amarrado às fórmulas 2.0 que lhe são ofertadas fantasiadas de soluções.