Sim, todos sabem que os “dados são o novo petróleo”, e que as operações digitais equivalem a fontes de dados, que podem ser extremamente valiosos quando estruturados e convertidos em insights. Apesar deste cenário, com amplo acesso a diferentes métodos, tecnologias e poder computacional, há gestores sofrendo para encontrar a combinação ideal para seus negócios.

Compreender as diferentes possibilidades de aplicação da tecnologia, para além da beleza do código-fonte, e do poder da infraestrutura é uma das possíveis vias de acesso à verdadeira inovação.

A convergência entre os campos estratégico, tático e operacional

Já faz parte do ethos de muitas empresas, não apenas no segmento da tecnologia, um alinhamento vertical das decisões, de forma que a estratégia oriente a tática, que por sua vez move a operação. Desta forma, a validação também acaba ocorrendo de forma verticalizada, entregando feedbacks resultantes de diferentes métodos, cadeia acima.

Agora, as decisões precisam convergir, promovendo maior dinamismo, de modo que as decisões duram apenas até a próxima disrupção. Entenda como funciona o processo de convergência com o modelo e os exemplos listados a seguir:

Figura 1 – Esquema da convergência entre os campos estratégico, tático e operacional.

1. Campos tático e estratégico

  • Realizar uma aquisição para aprender sobre mercados digitais.
  • Criar uma submarca para testar um novo modelo de negócios para a marca principal.
  • Requerer aprovação da alta gestão para iniciativas e políticas

2. Campos tático e operacional

  • Iniciar um programa utilizando influenciadores para gerenciar a reputação da marca.
  • Contratar profissionais em escassez, como cientistas de dados.

3. Campos estratégico e operacional

  • Redimensionar rapidamente as cadeias de suprimentos, conforme as necessidades locais.
  • Expandir para uma nova região ou categoria de produto em uma plataforma de e-commerce

4. Campos tático, operacional e estratégico

  • Implementar gestão de crises.

Um modelo para as decisões ideais

Para que as decisões se alinhem ao momento e se ajustem ao futuro, os gestores podem utilizar alguns pontos para orientação. Resumidamente, as decisões precisam estar conectadas, ser contextuais e contínuas.

Conectadas

Pode soar óbvio, mas as decisões não devem se sustentar em si mesmas. Elas afetam outros pares na organização e podem desencadear reações não desejadas. Decisões não restritas a hierarquia se tornam mais conectadas em todos os níveis, em um sentido de rede. O compartilhamento de dados e insights através das fronteiras organizacionais é fator crítico para a quebra de silos de informação, redução de prejuízos por retrabalho e maior engajamento das equipes.

As decisões de hoje precisam considerar os stakeholders.

Contextuais

Vivemos a onda do Marketing 5.0 e do Management 4.0, onde é público e notório que clientes, colaboradores e outros stakeholders esperam por reconhecimento. A tomada de decisão, em especial nos processos operacionais digitais, se torna hiperpersonalizada. Decisões alternativas precisam ser avaliadas de forma sensível ao contexto, além do escopo do evento ou transação individual. Fontes de dados internas e externas devem ser combinadas para gerar um panorama mais completo e rico, capaz de viabilizar decisões mais precisas.

As decisões de hoje precisam considerar a contexto, a relevância situacional.

Contínuas

As empresas precisam ser capazes de responder rapidamente a possíveis oportunidades e disrupções. A tomada de decisão está se tornando um processo muito mais contínuo, ou um fluxo, no qual as organizações precisam manter suas opções em aberto. Sempre que possível, as decisões devem ser automatizadas, criando uma sinergia entre humanos e IA, permitindo a tomada de decisão precisa, apesar da complexidade adicional.

As decisões de hoje precisam ser tomadas no momento em que forem mais importantes.

Benefícios da reengenharia da tomada de decisão

Figura 2 – Resumo dos benefícios da reengenharia da tomada de decisão.

Características de boas tomadas de decisão

Conforme o modelo de inteligência de decisão do Gartner, toda decisão pode ser descrita em cinco estágios e compartilham características chave.

Figura 3 – Modelo de inteligência de decisão do Gartner

Compreendendo as etapas

1. Captura – Reúna informações internas e do mercado.

2. Interpretação – Trabalhe para compreender o mercado local, ecossistema, competidores e o que for viável.

3. Exploração – Construa um case compreensível incluindo projeções e, por exemplo, simulações de ações de competidores.

4. Resolução – Discuta análises e propostas com todos os stakeholders relevantes. Otimize e obtenha aprovação.

5. Ação – Comunique e propague a decisão nos ambientes interno e externo. Inicie a execução.

Características comuns em boas tomadas de decisões

Altamente otimizadas

Decisões complexas impactam cada vez mais uma variedade de stakeholders e precisam incorporar suas contribuições. As decisões não devem ser otimizadas para uma única organização ou entidade, mas sim, levar a resultados positivos para toda a cadeia.

Transforme a tomada de decisão em um processo colaborativo.

Altamente automatizada e ampliada

Enquanto nós, humanos, nos destacamos por elementos como contexto e ética, que podem ser complexos e às vezes não racionais, as máquinas nos superam em lógica e solução de problemas em grande escala.

Automatize mais decisões determinantes. Combine análises avançadas e insights humanos para decisões mais complexas.

Altamente aderentes ao futuro

Com base em ampla variedade de dados, modelos e múltiplos cenários. Certifique-se de que a decisão é aderente ao futuro e funcione em múltiplos cenários plausíveis. Mantenha suas opções abertas e tome decisões em múltiplos passos.

Construa uma tomada de decisão que se adapte à mudança. Invista seu tempo na modelagem de decisão e planejamento de cenários.

Altamente combináveis

Mais decisões sensíveis ao contexto requerem a segmentação em componentes flexíveis, como decisões menores, processos em etapas, variedade de participantes e diferentes fontes de tecnologias e dados.

Construa uma tomada de decisão adequada ao propósito, ao invés de se ater a regras estáticas predefinidas.

O que a reengenharia da tomada de decisão significa para os líderes?

Até 2023, organizações com ontologia compartilhada, processos de semântica, governança e administração para habilitar o compartilhamento de dados entre empresas devem superar aqueles que não o fazem.

Até 2023, 30% das organizações aproveitarão a inteligência coletiva de suas análises comunidades, superando os concorrentes que dependem exclusivamente em análises centralizadas ou autoatendimento.

A crise provocada pela pandemia da Covid-19, atuou como catalisador para a transformação digital de muitos negócios que vislumbraram na tecnologia o caminho para a sobrevivência. Agora, diante da tendência de recuperação, é inevitável que a mão invisível do mercado comece a separar aqueles que evoluíram, de fato, dos meros sobreviventes. A hora de reavaliar os seus processos e otimizar a tomada de decisão é agora.

Referência: https://www.gartner.com/en/publications/what-effective-decision-making-looks-like

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