Category Archives: Marketing

Não Perturbe!

Assumir um “relacionamento sério” com o público é preciso.

Por Alexandre Rocha

Estava o leitor navegando feliz e empolgado pelo conteúdo, até então muito interessante, quando, pop!surge a caixinha do mal, aquela que mostra as ofertas mais perfeitas para você, e às vezes traz até o bônus do redirecionamento automático, pra deixar ainda mais divertido! Esta é uma boa forma de ilustrar o Marketing de Interrupção, estratégia utilizada para forçar – literalmente – o usuário a admirar aquela bela – e cara – campanha elaborada pela sua agência, na expectativa de triplicar seu volume de vendas! (Maah ôeeee!)

Apesar do tom “engraçadinho”, o parágrafo anterior faz referência a uma estratégia real, ainda aplicada por muitas empresas, mas antes de pensar que julgo tal metodologia como algo absurdo, ou algum tipo de “pecado capital” no mundo do Marketing do futuro, com seus Ps infinitos, saiba que eu mesmo a aplico em minhas campanhas, ainda que em uma escala cuidadosamente calculada. O foco aqui, está em como você empreendedor pode ser levado a crer,  de maneira oportunista, que é inteligente construir a base da sua comunicação sendo inconveniente com o público.

A cada conversa com um novo cliente que deseja investir em comunicação, seja em redes sociais, ou de forma ampla, busco enfatizar a importância do compromisso com as necessidades reais do público, tanto no produto central, quanto na abordagem e comunicação através dos canais escolhidos, na maioria dos casos, priorizando a qualidade da mensagem em relação a frequência. Certamente, a essa altura percebo que o cliente se encontra em uma batalha mental, comparando minha proposta de poucas interações semanais em suas redes sociais, com alguma outra recheada por dezenas, afinal, o mercado tenta lhe vender a qualquer custo uma ideia de “massificação da marca”.

Compreendo a abordagem desse cenário como algo tão importante para o anunciante, quanto para o cliente e profissionais de comunicação, já que estes também se valorizam com a qualidade da resposta à demanda do público, que por sua vez promove a valorização da atividade. O público se torna cada vez mais consciente e seletivo, diante da enorme quantidade de informações às quais tem acesso diariamente, transformando toda aquela comunicação não alinhada à sua nova realidade em um grande ruído. É importante criar a consciência de que ao almejar construir uma marca forte e desejada, deve-se considerar princípios básicos, como não “poluir” os canais de comunicação por onde o público transita, exatamente da mesma forma como não pichamos os seus muros com nossas marcas, apenas para “fixar a imagem”. Há limites entre a inconveniência e uma boa apresentação.

Estabelecer uma boa comunicação com o público requer uma dose de sacrifício, principalmente em tempos onde “dar um google” vai mostrar que aquele seu conteúdo, não é, digamos… de sua autoria! É necessário ter a consciência do quão séria é a decisão de abordar o público em um ambiente literalmente social, ou em outras palavras, é preciso priorizar a construção de um relacionamento real, fundamentado na satisfação da demanda que o consumidor lança ao mercado, ainda que esta não leve diretamente à decisão de compra.

Se você leu o artigo até aqui, é bem provável que já tenha ouvido em algum lugar a máxima de que “menos é mais”, porém, eu gostaria de convidar você a avaliar um novo pensar, sobre “fazer mais, com o mínimo”. Para entender tal proposta, tente responder a uma pergunta simples: Quantas vezes em um dia normal, seu foco muda de um assunto para outro como se escolhesse o mais agradável, ou aquele que apresenta menor complexidade? Se a sua resposta for um firme “quase nunca!”, parabéns, você merece uma medalha por sua atenção inabalável! Caso contrário, não fique triste, afinal você estará mais perto de compreender o motivo pelo qual sua marca precisa apresentar uma comunicação clara, breve e principalmente carregada com uma mensagem útil ao público.

Dentro da proposta aqui apresentada, cabe a indicação do segundo episódio da série Black Mirror, disponível na Netflix, que faz uma referência à maneira como o Marketing de Interrupção pode soar, exemplificando o impacto da sua estratégia de comunicação nas vidas do público-alvo, amplificada pelo cenário de um futuro fictício hyperconectado, controlado pela alta tecnologia.

Episódio recomendado: Black Mirror – T1:E2 – Quinze milhões de méritos. Classificação 16 anos.

O Homem Incapaz de Sangrar

Uma visão sobre o universo de verdades construídas para relacionamentos digitais.

Por Alexandre Rocha

Grupos de aspiração! Sim, um termo pomposo, mas que será fundamental para o desenrolar do raciocínio presente neste texto, e você também pode ver como um pequeno teaser do que vem por aí.

Já faz muito tempo que nossa natureza busca no próximo, de maneira instintiva alguma razão ou justificativa para nossos próprios atos, bem como respondemos a proposições variadas de valores e imagens aos quais somos submetidos diariamente.

Quando tratamos de Grupos de Aspiração, falamos também de Marketing e do poder de atração que a imagem transmitida ao mercado possui sobre nossas relações de consumo, como por exemplo, quando nos identificamos com a maneira que um músico famoso ou atleta olímpico de alto rendimento encantam o público, despertando consequentemente o desejo de fazer parte de um grupo ao qual (infelizmente, rs) não pertencemos.

Avançando muitas páginas nessa história, mas tratando ainda de aspirações e nossas referências pessoais, surge um mundo globalizado onde a informação transita praticamente sem resistência por todo o mundo, quebrando as barreiras impostas pela distância à base de muitos bits e fibra ótica, através das redes sociais no ambiente digital.

Apesar de multiplicar o número de conexões [e permitir o contato diário com a mamãe que mora em outro país], o cenário hiperconectado torna as pessoas mais suscetíveis ao impacto de imagens às vezes inconsistentes com a realidade, e uma explosão de produção de conteúdo parece trazer a reboque uma queda no comprometimento com fatores como capacidade de validação da informação, ou mesmo sua qualidade.

Pode ser que a proposta destas linhas consista em uma pequena jornada ideológica, para contribuir com um público que começa a ser doutrinado segundo uma visão utópica de sucesso, baseada em um misto de mundo perfeito e potencial divino, capaz de sobrepor a própria técnica como meio para a qualidade.

Longe de intentar construir parágrafos na forma de uma inatingível verdade absoluta, desejo transportar você, leitor e pensador, a uma análise sobre o que é o sucesso em sua essência. Seria ele mensurável de acordo com uma conta bancária, ou volume de posses? Ou seria mais valioso o encerramento das atividades de uma empresa que consumiu a família de um rico empreendedor infeliz? É bem simples notar o quanto é relativo. Sim, a partir daqui o título vai fazer mais sentido!

Observando com um pouco mais de calma você pode perceber que vive tempos onde um post é programado para atingi-lo de manhã com aquela precisão cirúrgica, operada por algoritmos que parecem conhecer você melhor que seus pais ou alguém com quem você divide o quarto todas as noites, trazendo uma cena feliz com a imagem vitoriosa de um empreendedor de sucesso (mas espera aí, o que é sucesso?), e por um segundo é levado a analisar porque não vive essa mesma euforia ou não está vivendo dessa forma tão plena e feliz que lhe foi apresentada.

Se você se identifica de alguma forma com a cena apresentada anteriormente, relaxe! Proponho uma observação mais profunda de tudo aquilo que parece ser, aguçando sua percepção do que é real. Para isso, nada melhor que levantar questões e talvez apontar algumas direções.

Durante minha formação aprendi, que Marketing consiste – dentre outras coisas – em causar encantamento no consumidor, e compreender que é o cliente quem lança a demanda ao mercado, e não ao contrário. Sendo assim, quem pode perceber rapidamente aquilo que o cliente precisa, ou é capaz de vislumbrar e explorar alguma demanda latente tem mais chances de encontrar seu oceano azul.

Então quando ligamos os pontos, percebemos que assim como raramente alguém opta por apontar os pontos fracos de um produto quando tenta construir uma imagem de liderança, pessoas agem com relação às suas respectivas imagens, dando origem ao que poderia ser seu alter ego, O homem incapaz de sangrar. Logo, você pode se perguntar: Quais são as chances de que você seja atingido pelo post citado anteriormente, considerando a postura do sucesso pleno e livre de derrotas, com uma abordagem totalmente contrária, mostrando força de vontade após uma derrota daquelas que faz ter a vontade de fechar as portas? Ou um vídeo real, que mostre como é difícil para um diretor comercial, trabalhar com índices em torno de 10% de aprovação de todas as propostas comerciais de sua empresa, sem ter ideia de como reverter o quadro?

Até o fechamento deste pequeno artigo não pude definir uma solução (e nem acreditaria hoje na construção de uma fórmula) para blindar sua mente quanto ao impacto das imagens citadas aqui, contudo, percebo que perguntas muito simples podem ajudar a desmistificar um universo pintado sem derrotas, e talvez ajudar a enxergar que em um mundo tão complexo e histórias de vida tão diferentes quanto as digitais nas pontas dos dedos, o sucesso pode ser observado também como uma questão de postura e atitude. Afinal, o que é o sucesso para você?

  • Aumentar suas posses? Ajuste o foco ao trabalho e equalize as economias em detrimento do que for contrário ao seu objetivo (aliás, a última parte vale para quase tudo).
  • Fazer selfies em outro país? Parcele uma viagem e vá! Afinal, quase ninguém criaria uma legenda feliz e motivacional contando para você que também fez dessa forma.
  • Um casamento feliz? Priorize as relações humanas para encontrar a “pessoa adequada”, e então trate como o negócio da sua vida.
  • Liberdade? Não crie raízes como uma árvore, mas também não seja tão duro quanto uma rocha, pode ser que acabe não adiantando!

Tais perguntas e proposições consistem em meras ilustrações rasas, que tratam na realidade sobre abandonar a inércia, e principalmente levar a uma reflexão de que seja qual for o seu ideal de sucesso, ele é grande, complexo e jamais poderia ser enlatado. Quando as coisas parecerem mais difíceis para nós do que algumas imagens que consumimos mostram, basta lembrar que por mais que não pareça, todo homem sangra.

Inbound Marketing. O cliente tem fome de quê?

Por Alexandre Rocha

Acesso a informação é uma característica dos tempos em que vivemos, assim como a capacidade das redes sociais em influenciar cenários diversos, como política, meio ambiente ou mesmo o universo corporativo e seus resultados. Apesar de tal liberdade do saber, grande parte dos empreendedores ignora estratégias de Inbound Marketing e se mantém refém das mesmas estratégias de sempre, baseadas em anúncios de interrupção como revistas, e-mail marketing, rádio e TV, investindo de forma quase exclusiva em variações de “ataque” ao target.

Para a felicidade do empreendedorismo, há cerca de 15 anos, Seth Godin (fundador da Yoyodyne, uma das primeiras companhias de marketing online, vendida posteriormente ao Yahoo) já desbancava os anúncios de interrupção como “A” solução para a comunicação, através do lançamento do seu conceito de Marketing de Permissão, onde a estratégia seria dirigida a voluntários ao recebimento da mensagem, conquistados por algum atrativo como brindes, sorteios e etc.

Apesar de campanhas tradicionais surtirem efeito mesmo sendo fundamentadas em broadcasts, seu custo pode ser considerado elevado para empreendimentos de menor porte e a energia dispensada para obter resultados não é aproveitada de forma plena quando comparadas ao uso do Inbound Marketing.

Ok, mas o que é esse tal de Inbound Marketing?

O conceito surgiu em 2005 (por Brian Halligan, CEO da HubSpot), e ao contrário do Outbound Marketing, é “direcionado para dentro” da companhia assumindo que o poder concentra-se cada vez mais nas mãos do consumidor, que escolhe o conteúdo que consumirá, por mais que fortunas sejam investidas em anúncios de TV, por exemplo. O número de canais e alternativas de comunicação disponíveis para o público aumentou de tal forma, que nada além do que realmente seja de seu interesse vai prendê-lo ao anunciante.

Em outras palavras, o conceito prega que cabe às empresas produzir conteúdo capaz de conquistar o interesse do público, ao invés de apenas lançar de fato um produto ou serviço sobre ele utilizando a mídia. O Inbound Marketing ajuda na construção de uma relação mais sólida e de referência, uma vez que o primeiro contato do público pode carregar um potencial de conexão através do atendimento de sua demanda por conhecimento, por exemplo, quando chegamos a um e-commerce de refrigeração através de uma publicação sobre o cálculo do consumo de energia em seu blog.

Mas meu produto já possui qualidade reconhecida e o preço é compatível com o mercado em que atuo, ainda assim vou precisar me preocupar em gerar conteúdo para o público?

A resposta é relativamente simples e muito direta, Sim! Principalmente quando olhamos para a evolução do consumo nos últimos tempos e o que ocorreu a conceitos como fidelização. Hoje há acesso quase irrestrito à informação, e na contramão dos canais tradicionais de comunicação com altos custos de logística, veiculação e produção, a internet possibilita a execução de estratégias de grande alcance a custos muito mais baixos, o Inbound custa em média 62% menos que o Outbound Marketing. Desta forma, as marcas estão amplamente suscetíveis à pressão das estratégias dos concorrentes, inclusive dos novos entrantes, principalmente quando estes utilizam os meios digitais embarcando no poder de multiplicação das redes sociais, por exemplo.

É importante compreender a necessidade do fortalecimento da relação de lealdade marca x consumidor, como via para a criação de laços que favoreçam seu retorno mesmo após a experimentação de similares (acredite, em muitos segmentos é apenas uma questão de tempo para que o cliente experimente outros produtos!).  Assim como nas relações humanas de forma ampla, a lealdade é construída através de uma relação de confiança, responsabilidade e doação, variáveis que felizmente podem ser gerenciadas nas relações de consumo, com a combinação certa de estratégias.

Conheça três critérios que podem ser utilizados para fortalecer sua estratégia de Inbound Marketing.

Integração (real) das Redes Sociais à estratégia

Optar pela presença de uma marca em redes sociais é uma medida que precisa ser adotada com responsabilidade, além de dimensionada de maneira precisa como uma peça importante para o sucesso da estratégia de comunicação, caso contrário se tornará apenas uma versão da marca em um universo paralelo, sem a geração de resultados positivos.

Conteúdo de qualidade

Bem antes da compra de um produto ou serviço, o consumidor moderno já está disposto a consumir informação, portanto, oferecer conteúdo de qualidade, com fácil acesso e a linguagem apropriada permitirão que a marca suba alguns degraus rumo à posição privilegiada de referência na mente do consumidor.

A qualidade quanto ao conteúdo da mensagem não está restrita a um canal ou outro, deve tornar-se um critério a nortear toda a comunicação. Um artigo interessante no blog, por exemplo, precisa ser apresentado à altura em todos os aspectos, seja na linguagem verbal ou não verbal.

Não esqueça do SEO (Search Engine Optimization)

Com um bom trabalho de otimização do site para os mecanismos de busca, utilizando tags valiosas do conteúdo como palavras-chave relacionadas às suas atividades, a marca aumenta de forma significativa suas chances de obter um melhor posicionamento nos resultados em buscadores. A importância de tal preocupação com a estratégia de SEO se deve ao enorme número de resultados similares em buscas na maioria dos segmentos, na prática podemos dizer que ou você assume o topo da lista, ou certamente seu concorrente o fará!